HISTÓRIA DO MUNICÍPIO

Corria o ano de 1820, quando o Capitão Manoel João Esteves, partiu de Mariana-MG com seu grupo e depois de muitos dias de caminhada encontrou o maciço do Caparaó penetrando nas matas do Espírito Santo. Prosseguiu viagem subindo o Rio Itapemirim distribuindo terras aos seus companheiros, onde foram sendo formados os diversos povoados, que mais tarde seriam os Distritos do Município de Alegre. Ficando o Capitão Manoel João Esteves com sítios nas cercanias do Caparaó, que no Tupi-Guarani significa águas que correm entre as pedras, no qual estabeleceu sua fazenda que denominou Santa Marta e onde permaneceu até sua morte em 1856. Concomitantemente a este povoamento dava-se outro mais abaixo. Sua origem deu-se antes mesmo da doação da Fazenda Santa Bárbara, já que viviam nos arredores vários agricultores com suas famílias, muitos deles suíços, portugueses e italianos. Logo outras famílias instalaram-se também, pois a terra era boa, região de raras belezas e grandes recursos naturais, inclusive espécies fornecedoras de madeiras. Em pouco tempo foi se formando um povoado, o qual era conhecido como Arraial de Santa Bárbara (BRASIL, 2005).

Em 1899, o casal Silvério José Pereira e Cândida Maria Assis, doaram da Fazenda Santa Bárbara, o equivalente a cinco alqueires de terra para construção do patrimônio. Em função da devoção dos doadores à Santa Bárbara, chamaram-na Patrimônio de Santa Bárbara. Somente anos mais tarde e já então viúva, Dona Cândida Maria Assis, assinou o auto de escritura pública de doação, lavrado em 20 de maio de 1917.

Em 04 de janeiro de 1917, através da Lei nº. 1.092, aprovada pelo Congresso, se instalaram aqui famílias de imigrantes árabes, conhecidos como turcos. Na época a região do Caparaó era ainda densamente revestida de matas, além de outros tipos de formações naturais, onde dominavam grandes árvores, inclusive espécies fornecedoras de madeiras preciosas, próprias da Floresta Pluvial Atlântica. A cafeicultura começava a tomar corpo e, juntamente com a extração da madeira, formavam a base da economia regional (BRASIL, 2005).

Em 1965, com a política de erradicação dos cafeeiros e desativação do ramal ferroviário, que propiciava o escoamento dos produtos da região até o Porto da Barra do Itapemirim, o impulso da Indústria automobilística, a abertura de novas frentes de trabalho nas siderúrgicas nacionais, o Distrito de Santa Bárbara, foi vítima de êxodo rural e com isso uma parada brusca se deu em seu desenvolvimento.

Ainda como Distrito de Santa Bárbara do Caparaó, o atual Município de Ibitirama, plantado ao pé da Serra, localizado nas divisas dos Estados de Minas Gerais com o Espírito Santo, teve grande destaque no Movimento Revolucionário de 1964. Por ter fácil acesso, na época com estrada que adentrava o Vale do Ribeirão do Calçado, foi escolhido pelos guerrilheiros, como base de suas atividades de resistência ao regime militar que se instalava no país, numa tentativa frustrada pelo exército brasileiro, que ficou conhecido como Guerrilha do Caparaó (BRASIL, 2005).

Em 31 de dezembro de 1973, pelo Decreto-Lei Estadual nº. 15.177, o Distrito de Santa Bárbara do Caparaó passou a denominar-se Ibitirama, que em linguagem indígena quer dizer águas das regiões altas (BRASIL, 2005).

O fluxo migratório começa a ser contido em 1978, devido à reativação da produção cafeeira, da instalação de novas escolas de 1º e 2º graus, Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (INCAPER), Igreja Católica, Agência da Fazenda Estadual, Banco do Estado do Espírito Santo S/A e unidades sanitárias.

Coroada de êxito, uma luta iniciada ainda na década de 1970, pelo Senhor Antonio Lemos Junior, levou o Distrito a conseguir sua emancipação política. A soma de esforços da comunidade, confiantes no potencial da região, aliado à determinação de então Deputado Estadual, o Senhor Paulo Lemos Barbosa, foram decisivos na luta da emancipação que ocorreu enfim, em 15 de setembro de 1988, com o Governador do Estado do Espírito Santo, o Senhor Max de Freitas Mauro, sancionando a Lei nº. 4.161 de emancipação de Ibitirama a Município (BRASIL, 2005).

Logo após a emancipação, o então Prefeito de Alegre, o Senhor Roberto Luciano Duarte, governou o Município de Ibitirama durante o ano de 1989. Eleito pelo voto direto, assumiu em janeiro de 1990, o Senhor Geraldo Gomes Carvalho, que governou durante três anos.

Apesar de ser um município jovem, pode-se observar que sua história política foi conflituosa, pois em apenas dezessete anos de emancipação, Ibitirama está no mandato de seu 7º Prefeito. São Eles: 1º Geraldo Gomes Carvalho (1990/1992); 2º José Mataveli Neto (parte de 1993); 3º Interventor João Soares de Azevedo (45 dias em 1993); 4º Sebastião Gonçalves da Silva (1993/1996); 5º Geraldo Gomes de Carvalho (1997/2000); 6º Paulo Lemos Barbosa (2001/2004); 7º Paulo Lemos Barbosa (2005/2008) (SILVA et al, 2002).